Isabella Rocha

Resiliência e Superação

Isabella Costa Rocha chegou à Irlanda em 2020 para estudar, mas descobriu leucemia logo após. Enfrentou meses de tratamento, conheceu o futuro marido no hospital e recebeu apoio da comunidade. Hoje trabalha com educação infantil, pratica Crossfit e celebra a vida após o câncer.

Isabella Rocha

Conheça Minha História

A jornada de Isabella Costa Rocha, 43 anos, rumo à Irlanda, teve início em meados de maio de 2020, quando o Brasil se encontrava nos primeiros momentos da pandemia de COVID-19. “Todo aquele caos instaurou um desespero em mim. Em uma conversa com uma amiga, ela disse que tinha o sonho de fazer intercâmbio e que faria isso assim que a pandemia acabasse. Porém, eu, como uma boa ansiosa, fui pesquisar sobre o tema e, num curto espaço de tempo, comecei a me desfazer de tudo no Brasil. Em dezembro de 2020 embarquei para a ilha com um sentimento de imigrar que nunca tinha feito parte dos meus planos, mas com a certeza da minha escolha”, relatou.

Isabella chegou como intercambista e logo estava “matando um leão por dia”, como brinca. Suas aulas começaram em janeiro de 2021 e ela já vinha se sentindo mal, indisposta e com muito cansaço. Em fevereiro, além de tudo isso, vieram as dores ao respirar e nas costas, até o ponto em que a situação se tornou insustentável. Ainda assim, jamais imaginava que algo sério estivesse prestes a acontecer, já que havia feito um check-up antes da mudança de país.

Ao chegar no hospital, sem falar inglês, foi internada às pressas e acompanhada por uma equipe de cerca de doze pessoas. Nesse momento, ouviu de um médico português, por telefone: “Precisamos ser fortes, você precisa se tratar, não vai poder voltar ao seu país. Você tem, possivelmente, duas leucemias cruzadas em grau máximo e precisamos tratar agora”.

Como era recém-chegada, seu acompanhante no hospital acabou sendo alguém com quem havia tido apenas um encontro. Depois de insistentes ligações desse rapaz, Isabella decidiu atendê-lo para explicar que não poderiam mais se ver devido ao diagnóstico. Ele, no entanto, foi até o hospital. Ali tiveram o segundo encontro e, com o tempo, esse acompanhante desconhecido se tornaria seu marido.

Sua situação de estudante foi intermediada por uma assistente social e pela escola, que entrou em contato com o Departamento de Imigração apresentando sua carta médica. Isso permitiu o congelamento do visto por tempo indeterminado. Uma agente do Governo passou a manter contato direto com a escola e com Isabella para acompanhar o boletim médico.

Ela permaneceu em tratamento no hospital de fevereiro a julho. Durante essa longa internação, entre abril e maio de 2021, enquanto tentava se desfazer de alguns pertences, conheceu o Grupo. Uma pessoa havia comprado um brinco e, ao buscar o item no hospital, Isabella explicou que seria necessário subir, pois estava internada. Por coincidência, essa pessoa já havia passado pelas mesmas dificuldades e a apresentou a Márcia.

“Márcia é uma pessoa totalmente altruísta, que me acolheu, me visitava sempre e me inspirou, dando forças para passar por isso.”

“Eu poderia ter ficado um tempo sem estudar, mas sentia a necessidade de viver. Em setembro voltei para a escola. Também queria muito trabalhar, não aguentava ser ‘doente’, sentia que tinha perdido muito tempo da vida, mas ao mesmo tempo precisava ser cautelosa”, relembra sobre os primeiros meses após a liberação do hospital.

Isabella revela que desde aquela época ainda convive com um misto de sensações e inseguranças, pois se mantém em alerta constante e, ao mesmo tempo, busca se desvincular desse processo doloroso para enfrentar a vida. Há um ano e meio trabalha com educação infantil e, desde julho de 2023, quando foi liberada para atividades físicas, começou a praticar Crossfit e se apaixonou pela atividade. “Hoje tenho uma vida normal. Acordo às cinco da manhã, vou treinar, depois cumpro minha jornada de trabalho de oito horas na creche e às seis da tarde estou em casa. Minhas idas ao hospital não são mais tão frequentes, mas ainda preciso fazer exames de rotina a cada três meses. Existe vida pós-câncer, uma vida cheia de desafios, mas também de muitas marcas de vitória que me encorajam todos os dias.”